A Vigilância Sanitária de Suzano interditou quatro comunidades terapêuticas irregulares em Palmeiras, segundo a Prefeitura. A ação ocorreu em 28 de outubro de 2026 e levou à prisão de dois indivíduos por suspeita de tortura contra acolhidos em um dos locais.
A fiscalização foi motivada por uma denúncia de ilegalidade e reuniu a Guarda Civil Municipal (GCM) e o 1º Distrito Policial. De acordo com a Prefeitura, o trabalho buscou preservar a saúde de 170 residentes.
Além das quatro comunidades, a operação interditou uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) no bairro Chácaras Casemiro, onde estavam dez pessoas. A atuação também envolveu o acompanhamento de um acolhido menor de idade por uma equipe municipal de assistência social.

As vistorias avaliaram documentação, condições estruturais, alimentação e medicamentos nos cinco estabelecimentos. A Prefeitura informou que nenhum deles reunia condições para manter as atividades e relatou medidas para encaminhar os acolhidos com segurança.
Operação em Palmeiras teve prisões e apreensões
Segundo a Prefeitura de Suzano, a fiscalização resultou na apreensão de 10 mil comprimidos, dos quais 3,3 mil eram de uso controlado. Também foram recolhidos 300 quilos de alimentos fora dos padrões de qualidade.
Na estrada do Koyama, onde havia 61 residentes, os fiscais encontraram as pessoas trancadas no imóvel principal e o responsável pelas chaves em outro prédio administrativo. Dois indivíduos foram presos por suspeita de tortura contra os acolhidos e encaminhados ao 1º Distrito Policial de Palmeiras.
Dois residentes foragidos da Justiça foram capturados durante a operação: um estava no endereço da estrada do Koyama e o outro, na comunidade do Jardim São Marcos. Nos cinco estabelecimentos fiscalizados, os responsáveis também receberam a determinação de contatar as famílias dos acolhidos.
Irregularidades levaram à interdição das quatro comunidades
Na estrada do Koyama, a Vigilância Sanitária constatou falta de licença sanitária, de documentos de funcionamento e de equipe de colaboradores formalizada. O prédio tinha fiação exposta, bolor, umidade, acabamentos rústicos e colchões diretamente no piso; alimentos impróprios foram descartados e medicamentos sem receita, apreendidos.
No Recanto São José, que abrigava 37 mulheres, havia residentes sem avaliação médica prévia e remédios sem receita guardados de forma inadequada sob uma cama. O local tinha apenas dois banheiros completos, abaixo da proporção prevista na legislação, de um banheiro para cada seis pessoas.
A Chácara São Judas Tadeu acolhia 23 homens e foi interditada por falta da documentação exigida e pela presença de residentes sem avaliação médica. A fiscalização encontrou medicamentos sem receita, inclusive controlados, portas que permitiam trancamento por dentro e por fora, paredes com mofo e umidade, fiação exposta e somente um sanitário completo.
Na comunidade do Jardim São Marcos, onde viviam 49 pessoas, a Prefeitura relatou superlotação, sanitários sem privacidade, fiação elétrica exposta e pontos de umidade e bolor. Também foram identificados armazenamento e processamento de 180 quilos de alimentos fora dos padrões de identidade, qualidade e segurança.
Instituição para idosos também foi interditada
Na Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), a fiscalização apontou ausência da documentação exigida e estrutura inadequada. Foram apreendidos medicamentos e uma receita médica assinada e carimbada em branco, além da inutilização de aproximadamente 70 quilos de alimentos fora dos padrões de identidade, qualidade e segurança.
A diretora da Vigilância Sanitária de Suzano, Carmen Lucia Lorente, afirmou que os estabelecimentos apresentavam falhas sanitárias e documentais que colocavam em risco a integridade dos residentes. Segundo ela, a suspeita de tortura também foi constatada durante a operação, e as irregularidades levaram à interdição imediata.
O secretário municipal de Segurança Cidadã, Francisco Balbino, acompanhou a ação ao lado do vereador Adilson de Lima Franco, conhecido como Adilson Horse. Ele disse que a Guarda Civil Municipal deu suporte às equipes e classificou a atuação conjunta como parte do combate às comunidades terapêuticas clandestinas no município.
O secretário municipal de Saúde, William Harada, atribuiu à parceria entre a Vigilância Sanitária, a Guarda Civil Municipal e a Polícia Civil a realização segura da fiscalização. A Prefeitura orientou que denúncias sobre irregularidades em estabelecimentos sejam feitas pelo telefone 0800-774-2007 ou pelo e-mail ouvidoria@suzano.sp.gov.br.


